Palavra do Presidente

Não morre quem peleia

Muito se tem falado acerca da falta de mobilização dos Sindicatos e sua pouca participação nos rumos da sociedade. Talvez por má vontade da mídia ou desconhecimento, mas certamente isto não reflete a realidade. Pelo menos de forma generalizada. O Sindicato vai ter maior ou menor visibilidade para a sociedade quanto maior for o numero de trabalhadores e trabalhadoras que decidam participar de suas atividades. É fato que, frustra as expectativas quando se espera algo dos Sindicatos para o qual não está preparado ou sua base motivada. Recentemente, o Siemaco e sua base mostraram sua força na negociação com empregadores onde obtiveram um aumento real nos salários da categoria, superando inclusive a média dos acordos feitos até então por outras categorias.

Esta é uma incumbência legal do Sindicato e que é indelegável. Mas, seu sucesso fica restrito a sua categoria e claro a seus familiares. Porém, o insucesso numa negociação e que acarrete em greve acaba por dividir o ônus com a sociedade, muitas vezes criando um conflito de interesse por força do tipo de divulgação feita. Temos consciência que nossas reivindicações não são apenas para criar a polarização capital versus trabalho. Negociação é algo democrático e deve ser praticado e quando fazemos temos clareza das possibilidades e onde alguém deve ceder. Mas, principalmente partimos da certeza que crescimento e liberdade não é destino. 

É resultado de perseverança e luta.  

Porém, nossa agenda é maior. A economia e o mercado de trabalho mudam e não avisam. Em recente pesquisa feita nos Estados Unidos acerca da distância entre salários maiores e menores, ficou demonstrado que a diferença aumentou e muito e que os trabalhadores com salário médio ficam mais tempo a procura de uma nova posição, quando demitidos, o que obriga aceitar um salário menor para fazer frente aos compromissos. O mesmo está 

acontecendo no Brasil, onde para determinadas posições se demora mais para conseguir uma colocação. Temos um momento no Brasil que muitos consideram de pleno emprego, apesar da situação da economia. Segundo o IBGE é uma situação diferente, ou seja, o número de vagas não tem aumentado e na indústria até diminui, mas a oferta de trabalhadores tem sido reduzida. As causas são redução na População Economicamente Ativa e adiamento na procura de emprego, principalmente por parte de jovens que estão entrando no mercado de trabalho mais tarde, sustentados pela família que no momento goza de uma renda maior. O dado ruim é que os jovens não estão aumentando seu conhecimento com este tempo a mais, ou seja, não estão fazendo cursos ou algo que permita se qualificarem para este novo momento do mercado de trabalho onde a sociedade é do conhecimento. Dado interessante este onde atingimos uma situação considerada boa em termos de emprego não por melhora no mercado e sim por diminuição de pretendentes.

O que temos em jogo é que os postos de trabalho notadamente na indústria estão diminuindo e basicamente à situação considerada de pleno emprego está sendo garantida pelo setor de serviços. Por mudança no mercado é previsível esta redução em postos de trabalho. O que não é garantido é a diminuição da população em ritmo idêntico.

O emprego industrial continua recuando. O que deu alento às últimas pesquisas foi o setor sucroalcooleiro, porém trata-se de contratações sazonais. Portanto, mais trabalhadores vindos do setor industrial com melhores salários vão ter que se contentar com os salários pagos no setor de serviços. É um desafio para o movimento Sindical evitar que se caia na armadilha da desigualdade e também uma ameaça ao setor de serviços que emprega pessoal menos qualificado e com baixa escolaridade.

O empregador vai ter a sua disposição pessoal melhor qualificado aceitando o salário e benefícios conquistados para aqueles que nada tiveram. 

Acredito que a agenda do movimento Sindical para o futuro próximo carece de uma boa estratégia. 

Por falar em luta, uma justa homenagem a Malala Yousafzai, paquistanesa, 16 anos de idade. Sobreviveu a uma tentativa de assassinato apenas por defender seus ideais. 

Cabe bem ao ditado gaúcho que “Não morre quem peleia ”.

 

Moacyr Pereira 

Presidente